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quinta-feira, 16 de abril de 2020
CAMOCIM ONLINE: BRASIL PERDE RUBEM FONSECA
CAMOCIM ONLINE: BRASIL PERDE RUBEM FONSECA: A literatura nacional perdeu nesta quarta-feira, 15, o escritor Rubem Fonseca. O autor, que morreu de infarto, aos 94 anos, ficou conhec...
terça-feira, 24 de março de 2020
Santo Mártir Oscar Romero (1919-1980)
Santo Mártir
Oscar Romero (1917-1980)
Hoje faz quarenta anos que
assassinaram Santo Oscar Romero.
O cenário do martírio de dom
Oscar Amulfo Romero y Goldámez (1917-1980) foi o mundo pós-colonial
no qual o imperialismo de direita (EUA) guerreou contra o
imperialismo de esquerda (antiga União Soviética). A América
Latina, considerada área exclusiva da influência estadunidense
(Monroe, 1823), ficou presa nessa luta. Organizações inspiradas na
revolução bolchevista começaram a atuar em diversos países contra
a versão latino-americana do feudalismo que ocultamente mantinha o
colonialismo. Para neutralizar os movimentos revolucionários, os EUA
estabeleceram a “Escola das Américas” no Panamá (1946) e
treinaram suas forças mercenárias. A União Soviética conseguiu se
estabelecer em Cuba e na Nicarágua, rompendo o monopólio do
continente. Em resposta, os EUA promoveram golpes militares,
começando no Brasil. Os governos fantoches assim instituídos
suspenderam os direitos humanos, baseando-se em uma doutrina perversa
de “segurança nacional” para manter a ordem tradicional com
inaceitável crueldade. Os guerrilheiros responderam com desumanidade
comparável..
Foi nessas águas turvas que um
passo decisivo da inculturação da fé cristã foi dado na América
Latina. A realidade socioeconômica favoreceu a recepção ao
Concílio Vaticano 2º, em uma releitura do livro de Êxodo a partir
da condição do povo na escravidão disfarçada. Houve uma errada
identificação do ânimo assim gerado com a revolução promovida
pelos soviéticos. Agentes de pastoral foram caçados e eliminados
como se fossem guerrilheiros. Mártir Romero, o arcebispo de San
Salvador, está entre os inúmeros outros do fratricídio impiedoso
salvadorenho dessa época. Foi assassinado enquanto presidia a
Eucaristia no dia 24 de março de 1980. Este bom pastor foi
beatificado no dia 23 de maio de 2015. Os 35 anos que passaram desde
seu assassínio incentivaram uma reflexão sobre a vocação
profética cristã e vai dar início ao processo de “conversão
pastoral” da Igreja para o mundo “globalizado”.
El Salvador, um pequeno país de
7 milhões de habitantes, de tamanho menor que o nosso Estado de
Sergipe, fica entre a Guatemala, Honduras e o Oceano Pacífico na
América Central. No início do século passado era produtor de café,
mas a crise financeira dos anos 1930 começou a acirrar tensões
entre o latifúndio (2% que ficava com toda a terra e 95% da riqueza
do país) e a população camponesa. O que passava por governo servia
aos interesses das elites, geralmente. A animosidade culminou na “La
Matanza” (1932), na qual pelo menos 50 mil trabalhadores do campo
foram mortos, pois eles se organizaram e reivindicaram seus direitos
à terra e à vida digna. A guerra entre El Salvador e Honduras
(1969) produziu um novo agravante social: a volta de 300 mil
salvadorenhos de Honduras, agora como refugiados. Os esquadrões da
morte intensificaram suas atividades nefastas. A crise de petróleo
de 1973 foi, como se fosse, a faísca que encetou a conflagração.
Para conseguir paz no campo, houve tentativa hesitante de reforma
agrária, que os latifundiários conseguiram fracassar. As eleições
fraudadas de 1977 deram origem a protestos populares que o governo
reprimiu com mão de ferro. Simultaneamente, os esquadrões da morte
da direita eliminaram sindicalistas e todos os outros simpatizantes
dos camponeses. Eis o cenário tumultuado em que mártir Oscar Romero
testemunhou sua fé seguindo os passos de Jesus de Nazaré.
A beatificação do Oscar Romero
(23.05.2015) é uma ocasião para analisar sua vida e obra. Aqui
apresentamos uma breve descrição biográfica sua, pois já falamos
da situação social, econômica e política do El Salvador para
melhor apreciar o desafio pastoral que ele enfrentou ao assumir como
Arcebispo de San Salvador em 1977.Oscar Romero nasceu na Ciudad
Barrios em 1917, e entrou no seminário em 1931. Teve de interromper
os estudos para ajudar sua família, mas em pouco tempo retomou os
estudos e foi enviado para Roma, onde em 1942 terminou os estudos e
recebeu a ordenação presbiteral. Na volta para El Salvador, passou
os próximos 24 anos desenvolvendo um trabalho pastoral em Anamorós
e San Miguel, e em 1966 foi eleito secretário da Conferência
Episcopal Salvadorenha. Dom Romero foi nomeado bispo auxiliar de San
Salvador em 1970, onde permaneceu durante quatro anos.
Ele não conseguiu se identificar
com a atualização da linha pastoral de acordo com as propostas do
Vat 2 e a Conferência de Medellín, que o arcebispo Luis Chávez y
González efetuava, o que deixou transparecer sua tendência
conservadora. A sua transferência como bispo da Diocese de Santiago
de Maria aconteceu em 1974. O governo salvadorenho e os esquadrões
da morte da direita reprimiam todas as organizações dos camponeses
na sua luta contra guerrilheiros bolchevistas. Em 1975, quando a
“Guardia Nacional” assassinou cinco camponeses, dom Romero
celebrou a missa do corpo presente; evitou denunciar o crime
publicamente, mas escreveu uma carta dura ao presidente do país.
Para a surpresa da ala progressista da igreja de San Salvador, Romero
foi nomeado Arcebispo de El Salvador em 1977. Entretanto, sua
“conversão” não demorou muito. No dia 12 do março, o padre
Rutílio Grande, um jesuíta comprometido com o povo no espírito
evangélico, foi assassinado, e o arcebispo se posicionou
publicamente no lado dos indefesos que estavam sendo massacrados.
Durante os próximos dois anos,
ele se destacou pelo seu favorecimento da defesa da vida em uma
situação muito complicada, na qual, paixões ideológicas
sacrificavam vidas humanas em um fratricídio sem sentido, como se
essas não valessem nada. Em outubro de 1979 houve um golpe militar,
e uma junta que incluía também civis tomou poder. Os EUA, que
promoveram o golpe, forneceram armas e treinamento aos salvadorenhos
para assegurar que não se repetiria uma Nicarágua, onde os
revolucionários tinham tomado o poder, em El Salvador. Na
carnificina que se seguiu, muitos, inclusive presbíteros e inúmeros
agentes de pastoral, foram mortos. A guerrilha respondeu com
execuções sumárias e destruição das estruturas do país. O
arcebispo Romero pediu aos EUA a não mais fornecer armas para este
conflito fratricida, e apelou às forças armadas salvadorenhas para
não matarem seus próprios irmãos.
Logo, no dia 24 de março, dom
Oscar Romero foi baleado quando presidia a celebração eucarística,
e faleceu logo. No seu funeral, uma multidão estimada em 130.000
pessoas se reuniu. Houve protestos, e naquela ocasião mais 42
pessoas morreram. Dias depois, o mandante do crime, o major do
Exército e fundador de um esquadrão da morte da direita Roberto
D’Aubuisson, foi preso com matérias incriminantes em sua posse,
mas logo foi solto sem que ninguém fosse denunciado ou julgado pelo
crime de assassinato do dom Romero até hoje. A guerra civil que se
deslanchou em seguida, durou 12 anos, a custo de mais 75 mil vidas
salvadorenhas! O martírio do dom Oscar Romero (2) A sua
transferência como bispo da Diocese de Santiago de Maria aconteceu
em 1974
Mártir Oscar Romero foi nomeado
arcebispo de San Salvador na época de substituição das figuras
proféticas como Evaristo Arns, Aloisio Lorscheider, Helder Câmara e
outros, por possuir dons
diferentes. Ao assumir o
Arcebispado, ele percebeu que tinha de agir para que a verdade não
fosse mais uma vítima do conflito fratricida que seu país vivia.
Romero assumiu ser a voz dos sem voz por meio das suas homilias (suas
homilias transmitidas por rádio foram ouvidas por 75% da população)
e reportagens no jornal diocesano. Seu jornalismo reconheceu o seu
ponto de vista e não enganou o público com reportagens tendenciosas
atrás de uma fachada de “objetividade”. O arcebispo
editorializou frequentemente sobre: 1) o direito de o povo se
organizar para lutar pelos seus direitos (o regime e os militares
viam em qualquer organização dos operários ou camponeses a
guerrilha bolchevista); 2) a necessidade da reforma agrária (nos
anos 1970, 2% da população ainda era dona de 60% das terras em El
Salvador); 3) o fim da violência (levantamento feito depois do
cessar fogo mediado por ONU em 1992 constatou que 85% das atrocidades
foram cometidos pelos militares e os seus esquadrões da morte).
O profeta Romero promoveu a causa
dos pobres sabendo que as consequências não serão diferentes do
que sofriam os próprios pobres. Recusou a proteção especial que o
governo lhe ofereceu. Sem se curvar diante do poder opressor,
noticiou os acontecimentos da perspectiva dos pobres. Suas denúncias
incluíam a absolutização da riqueza como mal radical; a riqueza e
prosperidade privada
como absoluto intocável; o
servilismo dos militares à oligarquia do dinheiro e a sua
impunidade; a corrupção da Justiça a serviço dos poderosos contra
os pobres; e a intervenção imperialista dos EUA. Seu trabalho
desmascarou a mentira dos meios da comunicação social a serviço
dos poderosos. Ele não deixou de criticar a atitude imobilista e
intransigente de muitos cristãos.
A direita condenou-lhe como
“comunista”, o que alguns de seus colegas no episcopado
salvadorenho também fizeram.
Jimmy Carter (EUA) solicitou a assistência do Vaticano para calar
esta voz profética. Mas, na sua vida e morte, Oscar Romero
evidenciou que são os pobres e oprimidos que sinalizam o caminho da
igreja no mundo de hoje. Foi a sua escolha. É o seu grande
ensinamento, pois ele mesmo submeteu- -se a injustiça, exploração
e repressão que seu povo
passava. As instalações do
jornal diocesano foram incendiadas, e a emissora da rádio foi
bombardeada. Que ele foi assassinado sobre o altar é significativo:
a igreja que nascia do Vat 2 foi atingida por incomodar o sistema
iníquo reinante. Para Romero, a igreja não pode ser reduzida ao
âmbito cultual nem pode ser uma organização em que tudo vem de
cima para baixo, como nos tempos da cristandade. A força da igreja
reside na palavra de Deus transparente, sempre viva e eficaz no meio
do povo. Ele falou de Deus, julgou a história de seu tempo à luz da
Palavra, como fizeram os profetas. A parábola do bom samaritano (Lc
10,3-37) era seu modelo de ação. Ser solidário com os pobres não
é ser “comunista” no sentido de ser revolucionário bolchevista.
Sua doutrina baseia-se em Am 2,6; 3,10; 4,1; e Is 5,8. “Estes
textos lidos na liturgia não são sobre um passado distante, mas
referem-se às realidades hodiernas, cuja crueldade nos confunde e
nos choca diariamente”, disse Romero ao aceitar o título de
“Doutor Honoris Causa” na Universidade de Louvaina (Bélgica) no
dia 2 de fevereiro de 1980.
O Papa Francisco proclamou santos
duas das figuras mais importantes da Igreja Católica no século XX:
o Papa Paulo VI, cujo pontificado foi de 1963 a 1978, e Oscar Romero,
arcebispo de El Salvador assassinado em 1980. Os dois foram
canonizados no domingo (14 de outubro de 2018) em uma grande
cerimônia na Praça de São Pedro, no Vaticano.
catolicismo mundial/world catholicism: Novena em honra a São Camilo
catolicismo mundial/world catholicism: Novena em honra a São Camilo: São Camilo / Novena em honra a São Camilo Novena em honra a São Camilo 04.07.2018 | 5 minutos de leitura ...
sábado, 21 de março de 2020
Jesus
de Nazaré – a Boa Nova para o século 21 (40)
2.
O fim inglorioso do Nazareno – Uns preparativos
1.
Logo depois de falar do complô para matar Jesus, o Evangelho de
Marcos nos apresenta o episódio de unção de Jesus em Betânia (Mc
14,3-9). Jesus está à mesa na casa de Simão, o leproso. Durante a
refeição uma mulher (anônima) irrompe a sala do banquete com um
frasco de perfume caro e o
derrama
na cabeça do
Nazareno.
Sua ação causa indignação entre “alguns” dos que estavam
presentes, pelo que consideram um imperdoável desperdício. Na sua
opinião o perfume poderia ter sido vendido por um preço alto e o
dinheiro aplicado no cuidado dos necessitados. Entretanto, Jesus
defende o gesto da mulher, interpretando sua ação como antecipação
dos preparativos do seu sepultamento. O Nazareno também denuncia a
hipocrisia, evidente nessa preocupação demasiada com os pobres. Os
pobres sempre estiveram e estarão presentes no mundo e nunca faltou
recursos necessários para cuidar do bem-estar deles. Só é que os
critérios humanos de distribuição dos bens materiais sempre
manteve uma porção considerável da humanidade em condições de
miséria. Jesus também prediz que o gesto profético da mulher será
lembrado em todos os lugares onde a Boa Nova do Reino for proclamada.
O
texto que fala da unção em Betânia, em Mateus, também está
posicionado logo depois do que fala do complô para matar Jesus. Os
detalhes são os mesmos do texto de Marcos, com um detalhe diferente:
a indignação causada pelo “desperdício” de perfume caríssimo
é entre “os discípulos”.
O
Evangelho de Lucas não fala da unção. Logo depois de falar do
complô para matar Jesus, Judas Iscariotes foi apresentar sua
proposta de entregar Jesus aos chefes dos sacerdotes e os chefes da
guarda e combinar a maneira de fazê-lo. Estes ofereceram dinheiro
pelo seu serviço e a partir daquele momento ele procurava o momento
oportuno para entregar Jesus, sem que o povo perceba. O autor faz
questão de resumir tudo o que motivou Iscariotes agir dessa maneira
na frase: “Satanás entrou em Judas” (Lc 22, 3-6).
Os
detalhes da unção em Betânia em João (Jo 12,1-8) têm muitos
detalhes a mais que nos ajudam a sentirmos a dramaticidade do
momento. Ofereceram Jesus um jantar em Betânia; Marta servia, e
Lázaro, aquele que Jesus tinha ressuscitado, estava à mesa com
Jesus. É Maria que unge os pés do Nazareno com o perfume precioso.
Quem fica irado com o “desperdício” é Judas Iscariotes, aquele
que trairia Jesus. O autor faz questão de comentar que Judas não
era amante dos pobres, porém tomava para si o que era depositado na
bolsa comum, pois era ladrão. A reação de Jesus aqui é a mesma
como nos outros evangelhos.
2.
Na sequência, nós temos notícias nos evangelhos de Marcos e Mateus
do pacto que Judas Iscariotes, um dos doze, foi fazer com as elites.
Ele se dirigiu aos sumos sacerdotes com a proposta de entregar Jesus.
Estes ficaram alegres de ter seu auxílio na execução do plano de
matar o Nazareno. Ofereceram-lhe dinheiro. A partir deste momento
Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus.
É
impressionante, as autoridades judaicas agora podem contar com a
colaboração que precisavam para acabar com o rabino de Galileia que
os incomodava tanto. Tal colaboração vem de alguém do grupo íntimo
do próprio Nazareno. O projeto de eliminar o profeta galileu
itinerante que se arrastava até agora recebe o estímulo que
precisava! Aqui vale notar que o gesto da solidariedade da mulher que
ungiu Jesus não tem preço, enquanto o preço da colaboração de
Judas Iscariotes é trinta moedas de prata; ele se deixa vender por
dinheiro.
3.
Os evangelhos sinóticos apresentam nesta conjuntura os preparativos
para a celebração de ceia pascal de Jesus de Nazaré e seus
discípulos. De fato, seus discípulos perguntam sobre onde e como
organizar a ceia pascal. Ele envia dois deles a um homem da cidade,
sem citar seu nome, porém indicando sinais para identificá-lo. Os
discípulos foram, reconheceram-no, o seguiram até a sua casa e
perguntarem sobre o local onde Jesus Nazareno e seus discípulos
comeriam a ceia pascal. Eles prepararam tudo para Jesus e seus
comerem a ceia pascal na sala superior que o homem os mostrara (Mc.
14,12-16). O Evangelho de Mateus tem os mesmos detalhes do texto de
Mc sobre os preparativos para comer a ceia pascal (Mt. 26,17-19). A
narrativa de Lucas não é diferente também.
4.
Nós já estamos prontos para analisar os textos que falam da última
ceia, uma refeição da qual se cultiva a memória desde então,
vinte séculos atrás, pelas comunidades cristãs ainda hoje. Isto
fica para o próximo.
quarta-feira, 11 de março de 2020
O fim inglorioso do Nazareno – o complô
Jesus
de Nazaré – a Boa Nova para o século 21 (40)
O fim
inglorioso do Nazareno – o complô
Fizemos um longo percurso examinando os textos dos quatro evangelhos
para discernirmos os contornos do perfil Jesus de Nazaré apresentados nestes.
Nós nos baseamos no Evangelho de Marcos principalmente. Onde foi possível nós
fizemos referências aos textos paralelos nos outros evangelhos para elucidar
melhor o sentido da atuação do profeta Jesus. Fizemos alguns comentários sobre
a relevância da práxis de Jesus para o agir dos seus seguidores -discípulos
missionários cidadãos – para os nossos dias. E agora está chegada a hora para
falar da reação que às mudanças oriundas das práticas do Nazareno gerou.
A semana Santa faz memória, liturgicamente, dos acontecimentos
considerados como reação negativa à práxis de Jesus. Os capítulos finais dos quatro
evangelhos contam do fim do Nazareno. O que pretendemos fazer aqui é, baseando-nos
no texto de Mc, comentar sobre os eventos que compõem o fim “inglorioso” do
anunciador do Reino de Deus.
O conteúdo desses capítulos que contam a história do fim do
Nazareno pode ser subdividido de acordo com o episódio que cada perícope trata.
De fato, as edições das traduções modernas da Bíblia têm essas divisões, até
legendadas, para ajudar o leitor compreender melhor os acontecimentos. Aqui nós
vamos usar, como fizemos até agora, o mesmo esquema usado na Nova Bíblia
Pastoral.
Para não forçar a atenção do nosso leitor excessivamente não
vamos apresentar uma enumeração dos episódios. Vamos direto para o primeiro: este
nos informa do complô para matar Jesus. Fico em Mc 14,1-2. Bem perto da Páscoa
os chefes dos sacerdotes e os doutores da Lei procuravam alguma cilada para
prender Jesus e matá-lo, sem causar tumulto entre o povo durante a festa, visto
que o Nazareno era imensamente popular.
No texto paralelo em Mt (26,1-6) há o mesmo conteúdo, com alguns
acréscimos significativos. Primeiro desses é: o complô é articulado numa
reunião na sala do sumo sacerdote. Segundo, é a profecia que o próprio Jesus pronuncia
sobre a entrega do Filho do Homem dentro de dois dias, que precede o relato do encontro
dos conspiradores.
O texto de Lc (22,1-2) repete, literalmente, o conteúdo de
Mc. Entretanto o Evangelho de João tem muitos detalhes, sobre que passou na
reunião que decretou a morte de Jesus de Nazaré, que os outros evangelhos não
têm (cf. Jo 11,45-47). Ao saber deste decreto Jesus se retirou para a região
desértica. Depois, os muitos peregrinos que vinham a Jerusalém para celebrar a
Páscoa procuravam encontrar Jesus sem sucesso. O autor faz menção da ordem da
parte das autoridades que obrigava a todos a informar sobre o paradeiro de
Jesus para auxiliar na sua prisão pois, o Nazareno tinha se tornado uma ameaça
ao sistema tradicional.
Aqui é necessário lembrar-se de que houve também diversas
tentativas anteriores para matar Jesus, o profeta de Nazaré, de acordo com os
textos dos evangelhos canônicos. A primeira, é o atentado de rei Herodes quando
Jesus ainda era um recém-nascido (cf. Mt 2). Os pais de Jesus recebendo o auxílio
divino (sonho-anjos) fugiram para o Egito e assim salvou sua vida. O Evangelho
de Marcos nos fala da consulta que os fariseus e os herodianos fizeram para
encontrarem algum modo de matar Jesus, pois ele interpretava a lei de observância
do sábado favorecendo o atendimento às necessidades dos fracos e fragilizados, e
isto, de maneira ameaçadora ao sistema tradicional que garantiam os privilégios
das elites tradicionais. Diante disso Jesus se retirou com seus discípulos para
a região beira-mar (Mc. 3,1-7a).
Jesus na sinagoga de Nazaré (Lc. 4, 16-30) é outro momento
de perigo mortal. Percebe-se neste texto que houve uma divisão entre os
presentes. Havia aqueles que ficaram admirados com as palavras cheias de graça
que saíram de sua boca. O segundo grupo era daqueles que questionavam sua
práxis: “Não é este o filho de José?” E estes o expulsaram da cidade, e o
levaram até o alto do moro sobre o qual a cidade estava construído, para
fazê-lo cair lá de cima, mas ele passando por meio deles, seguia seu caminho.
Desta visita a sinagoga de Nazaré falam também os evangelhos
de Marcos e Mateus. No texto de Mc (6,1-6a) se diz que seus ouvintes, admirados
no primeiro momento, com sua sabedoria e os milagres que ele realizava, ficavam
“escandalizados por causa dele”. O texto de Mateus não é muito diferente do que
o de Marcos.
Para examinar os textos do Evangelho de João a este
respeito, é necessário fazer algumas observações primeiro. O texto de João, na
sua primeira parte, apresenta os sete sinais que evidenciam o personagem do
“verbo que se fez carne e habitou entre nós”, Jesus de Nazaré. O autor registra
a reação que cada um dos sinais realizados gera. Já no terceiro sinal anota-se a
hostilidade mortal dos “judeus” à cura do enfermo na piscina num dia de sábado (Jo
5,1-18). O quarto e o quinto sinais não produziram perigo mortal corporalmente,
porém o perigo é de sérios desvios do seu caminho escolhido para que o Profeta
itinerante de Nazaré pudesse ser usado a servir os interesses do sistema
tradicional (cf. Jo. 6,14-15). O capítulo sétimo de João reporta a conversa de
Jesus com seus adversários sobre a interpretação da lei do (Jo 7,14-24). Os
versículos 25-52 falam da tentativa frustrada de prender Jesus porque os
guardas enviados para prendê-lo não deram conta de cumprir as ordens recebidas.
O sexto sinal é a cura do cego do nascimento, realizado num
dia de sábado provocando a ira das elites e ao mesmo tempo a condenação que
Jesus pronuncia da sua cegueira (Jo 10).
Da reação à sétimo sinal, falamos agora. Jesus ressuscita
Lázaro. Ao ficar sabendo do acontecido os fariseus reuniram o Conselho; houve
uma análise da situação diante do fato e tomaram a decisão de eliminar Jesus uma
vez por todas (Jo 11,53). Aqui é necessário acrescentar algo que nós
encontramos em 12,9-12, isto é, a decisão dos chefes dos sacerdotes de matar
também Lazaro, pois, muitos judeus se afastaram da religião tradicional e
acreditaram em Jesus por causa de Lázaro.
O complô para acabar com o profeta de Nazaré tem sua própria
história. De fato, a classe dominante Palestinense precisou se empenhar bastante
para poder planejar o fim inglorioso de Jesus de Nazaré. Da execução deste
plano e os elementos que colaboraram, falaremos agora em diante.
domingo, 8 de março de 2020
|
Posted: 07 Mar 2020 09:15 AM PST
Visão Geral a Respeito Dos Cigarros O cigarro é um produto muito popular e conhecido nos dias de hoje, e se resume basicamente um pequeno cilindro com folhas de tabaco em seu interior envolvidas por...
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020
Quem Colonizou a França? De Onde Surgiu o País?
|
Posted: 11 Feb 2020 09:45 AM PST
A Nova França, foi colonizada pela França. Quanto à colonização do Brasil pelos franceses, a primeira tentativa do país se deu em 1555, na ocasião em que eles ocupavam uma pequena área litorânea do...
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